Porquê faço chás!

O que você pode fazer se estiver doente?

- Tomar um chá!

Esta cultura se confunde com a história do ser humano. Desde cerca de cinco mil anos atrás a utilização de chás tem sido o primeiro recurso para o tratamento e combate dos sintomas de doença. Na história do homem as plantas trouxeram a cura de várias doenças e para povos inteiros. Remonta ao século passado o desenvolvimento da crescente indústria farmacêutica e química ligada à pesquisa, com o objetivo de isolar substancias usadas na produção de medicamentos fitoterápicos ou não. Antes disso, quando as plantas não eram domesticadas por descobertas de raizeiros ou cientificas, elas faziam parte do jardim da natureza à livre disposição da saúde humana. Eu as conheci assim.

Durante a minha vida fui instruída por minhas gerações passadas a cultivar o hábito de conhecer plantas e fazer remédios. A farmácia do meu pai fazia manipulações e, também, vendia as grandes marcas da indústria farmacêutica, recém descobertas aqui e na Alemanha.

Meu grande impulso para produzir chás nasceu da experiência com meu pai, desenvolvida durante seis meses. Eu já era medica formada. Juntos montamos um pequeno laboratório e criamos fórmulas baseadas na experiência dele de 50 anos de farmácia e na minha de fitoterapia aplicada à prática clínica. Nasceram alí formulas clássicas que uso em minha clínica há décadas. Tem mais. A necessidade minha de preservar dados que remontam à memória de meus ancestrais, incluíram outros componentes como a preocupação com agua sem contaminação, clima sem poluição, terra sem veneno ou agrotóxico, manejo de plantio biodinâmico, espaços de silencio e contemplação ou de natureza pura, plena de vida. Com essa bagagem cheguei ao Povoado do Moinho, na Chapada dos Veadeiros, Goiás, para onde fui levada pelo meu mestre interior, mas esta é uma outra história. Alí, instalei o meu “Jardim das Ervas”, e é ali onde amo ver brotar o melão de são caetano, reconhecer o brotinho da sálvia e do tomilho despontando, o orégano, a manjerona, a lágrima de nossa senhora vindo para a vida para serem usados como medicina natural.

parallax background

NOSSA REGIÃO É LINDA

Desde criança fui preparada para me sensibilizar pelas plantas. Meu tio Rolando Bottrell foi a primeira pessoa que me ensinou a reconhecer plantas. Ele me levava pelos arredores de Belo Horizonte e me apresentava às ervas, uma a uma e me contava sobre elas. Dizia que meu futuro estava ligado a elas. Na farmácia do meu pai eu ajudava meu avô Carlos Alvarenga na confecção de remédios fitoterápicos. Eu, criança, me sentia cientista.

Na Serra do Cipó, durante um estágio medico, conheci “A Tia”, antiga raizeira da região. Com ela aprendi a reconhecer “plantas do Cerrado” e a combinar plantas para o tratamento de doenças. Posteriormente, já instalada no Povoado do Moinho, com “seo” Donato e Dona Flor, ambos raizeiros, aprendi a andar pelo Cerrado, horas a fio, embrenhando aqui e ali, apenas para o reconhecimento de espécies nativas, onde nascem, seus frutos, rizomas, aromas, flores, sazonalidades, a ação do homem sobre elas e etc. Por essa experiência, lembro muito de Guimarães Rosa, no livro Grande Sertão Veredas, quando ele escreve que o Cerrado, assim como o Sertão, “está dentro de nós”. Penetrar no mundo macro e micro da natureza do Cerrado, que também é Sertão, é uma experiência a ser vivida. Somos muito parecidos.

Posteriormente, com a Dra. Renata Corrêa Martins, biomédica e botânica, então lotada no Departamento de Botânica da Universidade de Brasília, Ariana Dantas Filgueiras, farmacêutica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e eu participamos do projeto “Aproveitamento da Flora Medicinal: formando uma Farmácia Caseira”. Nesse projeto aprendi as técnicas cientificas de reconhecimento de campo, de identificação de espécies, catalogação, a consultar a biblioteca de botânica e os nomes científicos das espécies, em linguagem universal, que imprimiu em mim marcas profundas na minha relação com a flora medicinal. Já havia passado, então, pelo curso intensivo de fitoterapia chinesa, e me sentia envolvida definitivamente com as plantas, seus poderes e o conhecimento do que elas nos doam. Há sempre mais o que aprender.

Atualmente, a sensação de reconhecer uma planta nativa no Cerrado é indescritível. Costumo dizer aos pacientes que poder utilizar uma planta medicinal ou aromática que você cultiva em casa, ou que sabe a procedência, é libertador. É assumir cada vez mais o controle do próprio processo de saúde. Esses são conhecimentos úteis para a vida toda.

Penso, finalmente, que as pessoas que aprendem a tomar chás, podem se tornar mais independentes da indústria farmacêutica. E mais: quando você aprende a dar importância ao que come, aprende a comer determinado alimento e não outro, e consegue rejeitar os de condição duvidosa; quando você tem ao lado um chá de qualidade no momento da gripe, da dor de barriga, da dificuldade emocional, da falta de sono, de doenças crônicas, um chá puro resultado de experiências clínicas, você está se permitindo ser saudável e precisar menos de médicos. Desde pequena aprendi que a saúde brota da natureza (pura). Aprendi a amar as plantas que estão aí para nos embelezar, cuidar e curar.

Por isso faço chás! E por isso pesquiso plantas, raízes e hortaliças cada vez mais.
Loja Biochás